O presidente de Maldivas, Mohamed Nasheed, renunciou nesta terça-feira (7) após três semanas de protestos da oposição provocados por um motim policial. O poder foi entregue ao vice-presidente Mohamed Waheed Hassan Manik.
Nasheed disse na TV que sua permanência no poder iria resultar em uso de força contra a população. Houve enfrentamentos entre polícia e exército nas ruas nos últimos dias. Policiais assumiram o controle da emissora de televisão estatal. "Na situação atual, será melhor para o país que eu renuncie. Não quero dirigir o país com mão de ferro. Renuncio", disse.
Ele era presidente desde 2008, quando subiu ao poder prometendo ampliar a democracia no arquipélago do Oceano Índico após anos de ditadura.
Mas ele vinha sendo criticado desde que mandou o exército prender Abdulla Mohamed, juiz da principal Corte Criminal do país. A prisão ocorreu após o juiz ter ordenado a soltura de um oposicionista. O governo acusou o juiz de conduta indevida e favorecimento a integrantes da oposição. Os protestos que se seguiram deixaram ao menos três feridos. Uma delegação da ONU era aguardada na quinta-feira no arquipélago para negociar uma solução para a crise política.
Mohammed Nasheed, várias vezes detido quando estava na oposição, chegou ao poder em 2008 para um mandato de cinco anos. Ele foi o primeiro presidente eleito democraticamente neste arquipélago de 1.200 ilhas no Oceano Índico. Mas seu governo foi acusado regularmente de corrupção e má gestão financeira. Espera-se que o vice-presidente comande um governo de unidade nacional até as eleições presidenciais do ano que vem.
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