Mineira de São João del Rei, no Campo dos Vertentes, Yokania Bastone Mauro é uma das cinco pessoas ainda desaparecidas vítimas do desabamento dos três prédios no Centro do Rio de Janeiro. “Queremos a dignidade de poder enterrar o corpo dela”, pede a prima de Yokania, a produtora cultural Paula Bastone. Os destroços dos três prédios que caíram na quarta-feira já foram retirados do local e as buscas estão concentradas no depósito da Companhia Municipal de Limpeza Urbana (Comlurb), na Baixada Fluminense. Foram encontrados 17 corpos. Existe a possibilidade de que alguns dos ainda não encontrados tenham sido levados com os entulhos para o depósito ou que estejam carbonizados.
Formada em ciência da computação, Yokania trabalhou no Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan) e na Construtora Queiróz Galvão. Ela aguardava a conclusão do treinamento, que incluía o curso, cuja aula acontecia no momento da queda do Edifício Liberdade, para acertar sua contratação na TO – Tecnologia Organizacional. “Estava fazendo um curso para começar a trabalhar”, conta a prima Paula. Yokania estava sentada na primeira fila da sala de aula da TO. Ela é solteira, tem 34 anos e há 12 mora no Rio de Janeiro. Fillha de Luiz Antônio de Carvalho Mauro, morto há um ano, e de Vera Bastone, que está na capital fluminense desde quinta-feira, Yokania é considerada uma moça alegre. “Uma pessoa muito boa. Sempre de bem com a vida”, detalha a prima. De acordo com Paula, a família decidiu falar com a imprensa quando soube que havia a possibilidade de as buscas serem encerradas. “Estou à base de calmantes. Estou recebendo as informações, em contato direto com dois comandantes do Corpo de Bombeiros, do Rio de Janeiro”, explica Paula. Yokania sempre telefona para a mãe, que mora em São João del Rei, diversas vezes ao dia. Na quarta-feira, dia do desabamento dos prédios, ela ligou às 18h e disse que estava indo para a aula.
Vera acordou no dia seguinte com um telefonema da amiga de Yokania, que divide o quarto com ela. Estava preocupada, pois ela não havia dormido em casa e nem avisado nada, o que não é comum. A mãe sabia que o curso ficava perto do Teatro Municipal e que terminaria às 21h, mas não tinha o endereço exato. A amiga decidiu olhar os documentos e papéis de Yokania e constatou que o endereço do curso era exatamente o do primeiro prédio que caiu. “Ligamos para todos os hospitais, entramos em contato com a prefeitura e logo depois a mãe dela foi com a minha mãe (tia de Yokania) para o Rio de Janeiro”, relata a prima. Ontem, a Vera fez um exame de DNA para auxiliar no reconhecimento. “Queremos achar a Yokania viva ou morta”, afirma Paula, que lembra que uma semana antes do desabamento a prima apagou todos os perfis que tinha nas redes sociais.
ACOMPANHAMENTO: Uma decisão do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) determina que as autoridades estaduais e municipais guardem os corpos das vítimas do desabamento e os coloque à disposição dos parentes, para que sejam identificados. Além disso, a decisão da juíza Angélica dos Santos Costa também determina que os parentes possam acompanhar a triagem dos entulhos. O TJRJ também ordenou que o Estado e o Município do Rio de Janeiro se responsabilizem pela guarda e devolução dos pertences encontrados nos escombros.
A Prefeitura do Rio informou, em nota oficial, que o depósito da Comlurb está sendo supervisionado por policiais militares e câmeras para evitar o furto de objetos retirados dos escombros que estão sendo levados para o local.
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