Em meio à correria e ao burburinho do Centro do Rio, é possível perceber o silêncio e o pesar no rosto das pessoas que passam pela Avenida Treze de Maio na manhã desta segunda-feira (30). A via, que foi liberada nesta manhã a pedestres, estava fechada desde 25 de janeiro após o desabamento de três prédios.
De acordo com o último balanço, 17 corpos foram encontrados nos escombros, sendo que 13 foram identificados.
Outras cinco pessoas permanecem desaparecidas.
A empregada doméstica Lourdes Silva Oliveira, de 56 anos, foi até a Avenida Treze de Maio rezar por Fábio, amigo de sua filha. Segundo ela, Fábio estava no prédio e não conseguiu escapar do desabamento.
“Eu olho e não acredito no que aconteceu. Minha filha está arrasada, não conseguiu ir ao enterro dele. É muito triste imaginar que alguém pode morrer assim”, disse, emocionada.
Lourdes mora em Bangu, na Zona Oeste do Rio, e trabalha em Copacabana, na Zona Sul. “Saltei do ônibus no meio do caminho, precisava vir até aqui. O Fábio era alpinista, dormia na minha casa sempre e acordava cedinho para fazer trilhas. Minha filha acompanhava ele nesses programas”, lamentou.
Camila Barcelos, de 21 anos, e Ronald da Silva, de 19, também estiveram no local da tragédia e registraram com fotos o que restou dos prédios que desabaram. “Trabalhamos aqui perto e hoje viemos olhar o que sobrou. É difícil, porque é uma coisa inacreditável, e as pessoas estavam ali estudando, trabalhando. Podia acontecer com qualquer um”, disse Camila.
A segunda-feira será de muito trabalho para Sílvio Santos Fausto e sua equipe. Fausto é gerente de uma lanchonete localizada em frente ao local do desabamento.
O estabelecimento foi invadido por poeira. O gerente viu o edifício desabar e conta que correu para o estoque quando aconteceu o acidente.
'Castelo de areia'
“Eu ouvi um barulho, como se fosse uma explosão. Vi um ar-condicionado caindo e, de repente, o prédio desabou, como se fosse um castelo de areia. Tinha uns seis clientes na lanchonete e todos corremos para dentro, para o estoque. Foi horrível, muito pânico”, relembrou.
Trânsito
O trânsito no Centro do Rio começou a voltar ao normal nesta segunda-feira. Segundo o Centro de Operações da Prefeitura do Rio, a Avenida Treze de Maio foi liberada aos pedestres após a instalação de tapumes que cercam os escombros que ainda são retirados.
Já a Avenida Almirante Barroso foi totalmente liberada ao tráfego de veículos às 5h20, segundo a prefeitura. A via estava interditada desde a noite de quarta, entre a Avenida Rio Branco e a Rua Senador Dantas, para facilitar o trabalho das equipes nas buscas e retirada de escombros na Avenida Treze de Maio.
A Rua Senador Dantas também voltou à mão de origem, da Evaristo da Veiga à Avenida Chile.
Permanecem interditados, preventivamente, pela Defesa Civil o prédio de número 6 da Avenida Almirante Barroso e o anexo do Theatro Municipal.
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