quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Oposição pretende intensificar aproximação com eleitores e eleger mil prefeitos no país


A oposição quer que 2012 seja considerado o ano da reação de quem, nos últimos nove anos, vem encolhendo, à medida que o PT e seus aliados crescem. 
Essa é a promessa do presidente do PSDB, Sérgio Guerra, que planeja uma série de novidades para o principal partido da oposição. 
Novas secretarias, mais discussão e foco nas cidades em que os tucanos venceram em 2010. A aproximação com o eleitorado, retomada no ano passado, deve ser radicalizada em 2012. “Vamos acabar com essa doença de pouca interlocução com a sociedade”, afirma Guerra.
Dando continuidade ao movimento de popularização iniciado em 2011, os tucanos vão criar mais sete secretarias, a exemplo do braço sindical e da área de mulheres. As secretarias serão de temas sociais, como meio ambiente e sustentabilidade, saúde, esporte, etnias, educação, portadores de necessidades especiais e cultura.
O PSDB também programou congressos regionais ao longo de 2012 e um exclusivamente para sindicalistas, em março. Tudo antes das eleições municipais de outubro. 
“Estamos mudando o partido, que nunca teve esses congressos. É gente nova”, explica Guerra. Além dos encontros nacionais, também haverá seminários ligados aos temas das novas secretarias.
O presidente tucano também já marcou uma reunião com os dois outros principais partidos de oposição, DEM E PPS, para discutir como será a estratégia de atuação dos três. Um dos temas a ser discutido será a parceria dos três nas eleições municipais. 
A expectativa do PSDB é eleger um total de mil prefeitos. Hoje, a sigla comanda 790 municípios.
O foco dos tucanos deve ser nas capitais do estados em que José Serra venceu em 2010, além de outros em que o partido considera ter vantagem em relação aos partidos governistas. 
“Em estados em que temos o governo, saímos na frente”, afirma Sérgio Guerra, que diz esperar que o partido cresça no Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Goiás, Tocantins, Pará, Alagoas e Roraima.
Sem Bandeira
No DEM, a estratégia será manter o que se tem e tentar frear o crescimento dos governistas, principalmente do PT, no Nordeste. Em Sergipe, estado em que a oposição vem minguando a cada eleição, o único deputado federal de oposição, Mendonça Prado, acredita que a prefeitura de Aracaju deve voltar para as mãos dos partidos de oposição. “Na capital, Alckmin e Serra venceram, em 2006 e 2010. 
O governo está perdendo espaço”, vislumbra. O parlamentar acredita que 2012 marcará o fim do crescimento do PT pelo Nordeste. “A imagem do PT não é mais tão boa. Eles cresceram rebocados por Lula”, avalia.
As projeções da oposição não encontram ressonância entre os cientistas políticos. Cesar Romero, da PUC-Rio, acredita que falta a eles uma bandeira. Segundo Romero, a “faxina” da presidente Dilma Rousseff conseguiu afastar do governo a imagem de leniência em relação à corrupção, diminuindo o poder de fogo de PSDB, DEM e PPS. 
O professor acredita que o definhamento de algumas alas do PSDB e do DEM tem a ver com os programas de transferência de renda iniciados já no governo Fernando Henrique. A cada eleição, esse processo se intensificaria. “Os políticos conservadores começaram a definhar com o Bolsa Escola. Ao fazer esse sistema em que o repasse do dinheiro do governo federal para a população dos pequenos municípios é feito sem a intermediação de políticos, diminui o poder das oligarquias, que se alimentavam disso”, descreve Romero.
Liderança
O cientista político Marcos Figueiredo, da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), avalia que o projeto tucano dará novo gás à oposição, mas cessar a briga interna é fundamental. 
“Eles têm que resolver qual é a liderança que vai prevalecer: o Serra ou o Aécio. Isso é crucial para enfrentar a próxima campanha. E tem que definir já, porque o partido tem que ter liderança popular”, sugere Figueiredo. 
“Eles estão no caminho certo, estão arejando o partido, promovendo novas lideranças. É uma refundação do PSDB”, avalia. 
Ele acredita que os tucanos tenham demorado a entender as mudanças em curso na sociedade, com os programas sociais criados e ampliados pelo PT. “É claro que eles não são contra essas mudanças. Mas ficaram um pouco sem discurso, porque era o projeto social-democrata que eles mesmos não executaram”. 


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