segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Enem é alvo de 27 ações em Minas


As notas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2011 estão na mira de pelo menos 27 ações na Justiça Federal de Minas Gerais. Desde o início do ano até a tarde de ontem, cinco processos questionam a correção da prova de redação e os demais contestam o uso das notas para seleção de alunos no vestibular da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), encerrado segunda-feira. Nesta semana, dois estudantes mineiros conquistaram vitória na luta contra possíveis erros na correção dos testes. No início da noite de ontem, a Justiça Federal do Rio de Janeiro determinou a alteração da nota da redação de um candidato carioca, por causa de uma falha do Ministério da Educação (MEC) na soma dos pontos. Com esse caso, chega a três o total de alunos que conseguiram mudar a nota em todo o país.
Segundo o MEC, mais de 70 estudantes exigem, judicialmente, o direito de acesso à redação corrigida no Brasil. O espelho da prova, como é chamado o documento, foi divulgado a esses candidatos esta semana e agora pode ajudar os 3,9 milhões de participantes do teste a entender melhor os critérios usados na correção. De acordo com o ministério, a redação é analisada por dois avaliadores de forma independente, sem que um conheça a nota atribuída pelo outro. A nota final é calculada com base na média aritmética desses valores – somam-se as duas notas e divide-se o total por dois. Caso haja uma diferença de mais de 300 pontos entre a avaliação dos dois técnicos (numa escala de zero a mil), a redação passa por uma terceira correção, feita por um supervisor.

Contestação
Esse modelo de correção da prova levou a uma aberração na nota de um estudante de Maceió (AL). Depois de mover uma ação na Justiça e conseguir liminar para ter direito de ver a prova corrigida, o aluno descobriu que a nota dele caiu de 920 para 280 pontos durante a correção feitas pelos avaliadores. O problema ocorreu porque os dois primeiros corretores do texto deram notas de 920 e 600 pontos, o que corresponderia à nota de 760. Mas, como houve discrepância de mais de 300 pontos entre as avaliações, um terceiro corretor analisou a prova e baixou a nota para 280 pontos. O caso continua sendo contestado na Justiça e aguarda decisão. Em outro processo, o estudante de Belo Horizonte R.R.P., de 21 anos, que pediu para não ser identificado, conseguiu alterar a nota da redação, passando de zero para 440 pontos (o valor máximo é 1 mil pontos). A mudança só foi feita depois de várias reclamações, formulários e protocolos preenchidos no site do ministério (www.mec.gov.br) e no serviço telefônico de atendimento aos candidatos, o Fala Brasil (0800-616161). Na semana passada, em São Paulo, um estudante também conseguiu alterar a pontuação, passando de zero para 880 pontos. 

Justiça
Além dos pedidos de revisão das notas, estudantes recorrem à Justiça para garantir o direito de conferir a prova corrigida. Esta semana, a Justiça Federal de Minas Gerais concedeu a primeira liminar no estado favorável a uma estudante que questiona os critérios adotados pelo Ministério da Educação. Na decisão, a juíza Dayse Starling Lima Castro, da 7ª Vara Federal, determina que o MEC permita à aluna J.A.C., de 18 anos, o acesso à redação corrigida e ainda estipula prazo para que o órgão receba e aprecie um recurso, no qual o candidato questiona a pontuação obtida. 


Notícias Relacionadas:

0 comentários:

Postar um comentário